quarta-feira, 19 de março de 2014

Ray LaMontagne



  

 Queridinho da vez: Ray LaMontagne.

Não sei o que houve, mas estou muito musical esses dias :)
Essa música aí embaixo me pegou pelo laço: tão atual, tão verdadeira, tão ingênua. 



Henry Miller


Sexo é uma das nove razões para a reencarnação, as outras oito não me interessam.

Quando você possuiu um livro com mente e espírito, você enriqueceu. Mas quando você o passa adiante, enriqueceu triplamente. 

O verdadeiro líder não precisa conduzir, ele se satisfaz em indicar caminhos.

O destino de uma pessoa nunca é um lugar, mas uma nova maneira de ver as coisas.

terça-feira, 18 de março de 2014

Manoel de Barros

Vento

Se a gente jogar uma pedra no vento
Ele nem olha para trás.
Se a gente atacar o vento com enxada
Ele nem sai sangue da bunda.
Ele não dói nada.
Vento não tem tripa.
Se a gente enfiar uma faca no vento
Ele nem faz ui.
A gente estudou no Colégio que vento
é o ar em movimento.
E que o ar em movimento é vento.
Eu quis uma vez implantar um costela
no vento.
A costela não parava nem.
Hoje eu tasquei uma pedra no organismo
do vento.
Depois me ensinaram que vento não tem
organismo.
Fiquei estudado.


O Muro

O menino contou que o muro da casa dele era da altura de duas andorinhas
(Havia um pomar do outro lado do muro.)
Mas o que intrigava mais a nossa atenção principal
Era a altura do muro
Que seria de duas andorinhas.
Depois o garoto explicou:
Se o muro tivesse dois metros de altura
qualquer ladrão pulava
Mas a altura de duas andorinhas nenhum ladrão pulava.
Isso era.


Creme

Sucuri pegou um bezerro
E deu um forte abraço nele.

Foi se enrolando se enrolando no corpo do bezerro
Foi apertando o abraço apertando
Até quebrar todo osso do bezerro
O bezerro virou parece um creme.
Eu estava perto.
Eu assisti.
O silêncio do bezerro nem mexia.
Depois a cobra engoliu o creme.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Zine XXX: Catástrofe no Catarse

Acabei de por as mãos nos Zines XXX que apoiei através do Catarse!

Uma pena que a realidade não superou as expectativas...

Esperava zines inquisidores, mordazes, politizados, ou ao menos engraçados e não encontrei nada além de um mi-mi-mi burguês individualista. Salvo alguns trabalhos, a maioria das histórias são sem pé-nem-cabeça, um mergulho profundo demais em almas interessantes de menos.

Giovana Medeiros em, Zine XXX - Volume UM 

Em relação à técnica das meninas, não tenho nada a reclamar, a maioria dos desenhos são até bem originais. Mas o conteúdo é que deixou a desejar. Já que essa era uma oportunidade rara, achei que as meninas fossem aproveitar melhor, trabalhando o feminismo de maneira mais plural, ou apresentando o ponto de vista da mulher sobre assuntos diversos, apresentando questões que incomodam a todAs nós. Infelizmente, a maioria das histórias possui um viés muito individualista, auto-centrado, com crises típicas da classe média alta. O que não me surpreendeu nem um pouco após participar do evento de lançamento, dia 18/02, no Comuna em Botafogo. Disso falarei mais abaixo.


sábado, 8 de março de 2014

Fuck Music: Oh Yeah! ;) Porque você deveria ouvir!


Gente, tenho que admitir: eu sou apaixonada por fuck music. Se você não conhece o termo, a tradução literal seria algo como música pra f*der. E tem correlação com isso mesmo que você está pensando. Com certeza, você já ouviu alguma, mesmo que não tenha ligado o nome à coisa. Se você acha que não, toque (!) a lista ao lado, com certeza você vai reconhecer uma, e entender do que eu estou falando.
Fuck ou Sex music são boas por várias razões, primeiro porque tornam o sexo mais gostoso - é como uma pitada de tempero que deixa a comida mais gostosa - elas conferem uma áurea de poder e sensualidade ao ambiente, deixando as pessoas mais desinibidas. E até mesmo que não seja para transar - apenas para ouvir enquanto se pedala ou arruma-se a casa - elas te colocam em um clima sensual que por si só já é prazeroso. Afinal, sexo é vida. A simples menção ao sexo, já deixa qualquer um mais animado. Já foi comprovado que música faz bem à saúde. Então, fuck/sex music deve fazer em dobro!
Amo tudo que passeia pelas entrelinhas, pela subjetividade, pela criatividade de se fazer amado e amar.
Justamente o mais curioso, é que as melhores fuck music dessa lista aí não contém nem um pouco de sexo em suas letras. Geralmente se fala de corações partidos, desilusões amorosas, esperanças, declarações, até mesmo de um dia no parque, eventualmente uma ou outra tratam da coisa propriamente dita. A menção ao sexo fica mais na melodia. E isso só prova como o sexo e uma composição de coisas que acontecem muito antes do sexo em si. É o que poderíamos chamar de sensualidade. Claro, que essa playlist não agradará à gregos & troianos, porque cada um tem um estilo na cama e as músicas devem acompanhar isso, e não o contrário obviamente.
Esse prelúdio todo só para contar para vocês que estou apaixonada pela música abaixo já faz uns dias. Ela deliciou meus ouvidos na cama, na sala, numa rapidinha no trabalho, no balanço do ônibus e até na escada de incêndio. Não consigo enjoar! :P O danadinho que canta não é muito conhecido aqui no Brasil, mas já baixei o álbum dele The Lateness of the hour, e ele manda muito bem :) Com vocês: Alex Clare.
Segue a letra + tradução, para provar o que disse acima (nadinha de sexo na letra). Se fosse uma canção russa e eu não entendesse nada, com certeza teria apostado que era sexo puro. ha ha ha ha
I can do what I want, | Eu faço o que eu quero
I'm in complete control | Eu estou no comando
That's what I tell myself! | É isso que digo à mim mesmo
I got a mind of my own | Eu tenho a cabeça feita
I'll be alright alone | Ficarei bem sozinho
Don't need anybody else! | Eu não preciso de mais ninguém
I give myself a good talking to | Eu me dou um bom sermão
No more being a fool for you | Não serei mais feito de idiota por você
I remember how you made wanna surrender! | Eu me lembro, como você fez eu querer me render
[Chorus | Refrão :]
Damn your eyes! | Maldito sejam seus olhos!
They're taking my breath away | Por tirarem o meu ar
For making me wanna stay | Por me fazerem querer ficar
Damn your eyes | Maldito sejam seus olhos
For getting my hopes up high | Por me fazerem ter expectativas tão altas
Making me fall in love again! | Por fazer com que eu me apaixone de novo!
Damn your eyes! | Maldito sejam seus olhos!
Always the same, | Sempre a mesma
You say that you'll change | Diz que vai mudar
Somehow you never do! | De alguma forma você nunca muda
I believe all your lies | Eu acreditei em todas suas mentiras
The look in your eye | Aquela forma de olhar
You make it all seem true! | Você fez tudo parecer verdade
I guess I see what I wanna see, | Eu acho que  vi, o que queria ver
Or is my heart just deceiving me | Ou foi o meu coração me enganando
With that look I know so well, | Com aquele olhar que conheço tão bem
I fall completely under your spell! | Cai completamente no seu feitiço
[Chorus:]

Panteão


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Resenha: Jogos Vorazes - A Trilogia - Susanne Collins


Quem acompanha as resenhas do blog deve ter percebido que nunca resenhei um livro que seja best-seller. Raramente acompanho os lançamentos literários, já que prefiro perambular pelos sebos a procura de livros antigos. Então quando me interesso por algum, geralmente é porque ele foi adaptado para o cinema. E foi justamente isso que aconteceu dessa vez.

Quando adaptaram o primeiro livro da trilogia para o cinema o nome me chamou muita atenção: Jogos Vorazes. Lembro de ter visto um cartaz do filme, com uma menina empunhando um arco e flecha e pensado: “Nossa, uma menina como protagonista e portando um arco e flecha... que diferente! Ainda assim, não cheguei ir ao cinema para conferir. Só que um tempo depois acabei baixando o filme. E fiquei eletrizada. Logo depois assisti ao segundo filme (como podem notar descobri a Trilogia com anos de atraso). Mas ainda estava relutante em comprar os livros. Acho que nunca paguei por um livro que estivesse em tamanha evidência. Tenho realmente uma relutância imbecil ao que é popular. 
E foi então que tive uma mãozinha do destino. Fui lesada pelo Submarino e como reparo ganhei um vale de R$ 60. Primeira coisa em que pensei foi em livros, mas na época o box da trilogia custava R$ 100. Eu podia completar o valor, mas não queria dar esse prazer para uma empresa que me lesou. Então esperei para vencer no cansaço. Em menos de um mês eles baixaram para R$70 . Por mais miserável que eu fosse, R$10 nunca matou ninguém.



Os três chegaram lá em casa dia 06/01. No dia 28/01 quando comecei à escrever essa resenha, após terminar as leituras, estava com saudades, um aperto no peito e uma boa dose de depressão pós-livro. Mas estou feliz, porque valeu muito a pena. Embora a qualidade da tradução seja mediana, e a revisão tenha realmente deixado a desejar com várias letras sobrando e faltando nas frases.
Vou então resumir o primeiro livro logo abaixo e depois descrever a quantidade de coisas que passaram pela minha cabeça durante o segundo e o terceiro livro. Para enfim, explicar o porquê da trilogia ter despertado minha atenção, rendendo inclusive uma resenha absurdamente grande aqui no blog. 


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Let's smash patriarchy!



Hey menina.
Vamos esmagar o patriarcado.

Maginá o Ryan Gosling querendo esmagar o patriarcado com as meninas? Tuuudo de bom :)
Nada melhor do que encontrar homens feministas pelo caminho... Se forem simpáticos, belos e educados é ainda melhor ;)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Ariana Mendonça: "Ao verme que primeiro roeu"

As entranhas roendo-se. Umas as outras: as paredes se grudam, encostam e separam. Rios de ácido escorrem de mim e por mim. E a vida flui. Volúvel e impassível.

Caminhos estranhos por onde a dor percorre. E se implanta e suplanta, um órgão em mim, um pedaço meu. Um ângulo de dor se forma: singelo e pungente. E toda paz se esvai, fico voltada para a dor, inerte e inquieta em minha cadeira, em minha poltrona, em minha cama.

A vida não para por mim. Ela não espera a dor passar. A dor é quem espera a vida decidir, se vai deixar ficar ou ir. Eu espero pelas duas.

Estou tentando mudar meus hábitos e algo está se modificando de dentro para fora. Penso mudar o que me torno enquanto tento relembrar quem fui. Mas a única que parece vencer nessa batalha é quem sou.

Só ela pode manobrar as ações que vibram em mim. Embora ela não pareça ligar muito para isso. As vezes ela apenas se senta e me olha, esperando que algo seja feito de mim. Por quem e como, nunca saberei.

Acho que é preciso um pouco mais de tempo para que a mente e o corpo, enfim se abracem. E se perdoem por não saber o que fazer de mim.
Ariana Mendonça
__________________

Esse texto é uma homenagem à Gastrite, Um amigo, e ao Brás Cubas, todos eles predecessores da mudança :)


"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas" (1º prgfo de Memórias Póstumas de Brás Cubas do Machado de Assis)



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Dois lados da mesma moeda


Às vezes precisamos é de uma tarde vazia. Da completude do silêncio. Da pacífica letargia. De evoluir no nada, se espalhar pelas horas, sem fôlego sem razão, apenas se desfazer liquidamente no tempo até encontrar a paz no ócio. Se esvair em branco.

Do que a gente precisa é um pouco de humanidade de um pouco de gentileza, para não se afogar no que nos tornamos. Uma pessoa que se converte em ações rudes e inumanas. Uma pessoa que só pode ser resumida em ações, porque não há voz, sentimentos ou palavras que a descrevam. Porque ela virou pedra, ela virou pedra. Que segue rolando entre tantas outras pedras no meio da cidade.

Nossa superioridade numérica nos fez burros e diminutos. Não estávamos preparados para enfrentar isso. Nunca estivemos. Sermos confrontados com a nossa estupidez e sorrir. E passar por cima: nossas rodas rolando por cima de nossas cabeças, das cabeças alheias e sorrimos. Nós sorrimos quando nos safamos. Nós choramos com a dor alheia. Nós não sabemos o que fazer. De nós mesmos e com os outros. Fúteis e tolos. Belos e mortais.

Nós somos tantos em um só. E somente um, entre tantos outros. Ficamos confusos. Ficamos sentimentais. Estamos buscando ressarcimento pelas nossas perdas. Estamos buscando justificativa para nossos medos e as encontramos em abundância. Mas ainda não é o suficiente. Não estamos safisfeitos. Precisamos de algo mais para calar a voz. Para abafar o grito interno. Para selar a paz entre nossa alma fatigada e nosso corpo fatigado: dois lados da mesma moeda. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

The Passenger: é Mike Rosenberg, a voz mais enjoada e melodiosa da vez!




Detalhe na parte em que ele canta:

"Well I’ve got no ones word and no bodies promise
Not a lot to show but this book full of sonnets
And my liver may be fucked but my heart is honest"

e a identificação aconteceu :)

Sobre:

Mike Rosenberg é Passenger, nome artístico para uma viagem no mundo Acústico, Folk e Roots da música.

Passenger é, na verdade, uma adopção de um nome que outrora era plural. Mike Rosenberg, juntamente com Alon Cohen, Tom Mills, Stephen Hodd e Robin Coward formavam, em 2003, a então banda Passenger, porém com a carreira a divergir por vários caminhos a banda optou por se separar (2009), restando apenas Mike, que por este mundo fora, sozinho, se aventura na demanda da música.

O fundador da banda, compositor e guitarrista da antiga união Passenger, tem agora um novo objectivo que passa desde o busking até às actuações em grandes palcos. Digamos que Passenger é um passageiro que leva a música a todos os cantos do mundo.

Já com um novo projecto denominado de “All The Little Lights“, Mike brilha por todos os lugares que passa. Um álbum com 2 CD’s, com um total de 20 músicas, em que o segundo CD passa unicamente pela vertente acústica e é de grande qualidade!

Lançado a 22 de Fevereiro de 2013 na Europa, “All The Little Lights” chega aos tops num piscar de olhos, em países como Austrália, Alemanha e Irlanda !

Como descrever a música de Passenger? Provavelmente como aquela música à qual nos transmite uma enorme energia e bem-estar, no final de um longo e esgotante dia de trabalho. São músicas como “Keep On Walking“, “Let Her Go” e muitas mais que dão magia à vida de qualquer uma pessoa. Cheias de filosofia, ritmo, histórias de emoções passadas e actuais, na divagação de um futuro incerto.

Tácito


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ingmar Bergman

Estou lendo Face a Face do autor Ingmar Bergman. E como sempre, me deparo com aquelas frases que ficam ricocheteando dentro da mente...




sábado, 4 de janeiro de 2014

Resenha: Os Monólogos da Vagina - Eve Ensler



Falar sobre vaginas não é fácil, mas Eve Ensler provou que pode ser muito engraçado e libertador. Enquanto para as mulheres a leitura reforça o emponderamento do seu sexo, para os homens oferece a possibilidade de desvendar curiosidades da intimidade feminina. Então, é difícil para qualquer um não se sentir estupefato e reflexivo, diante de um tema raramente abordado com tanta franqueza.

Ensler realizou ao longo de 5 anos mais de 200 entrevistas com mulheres dos mais variados tipos: velhas, jovens, casadas, solteiras, lésbicas, professoras universitárias, atrizes, etc. Inspirada nessas entrevistas ela escreveu uma peça chamada Os Monólogos da Vagina (The Vagina Monologues),  que por conseguinte deu origem à esse livro. A peça é emocionante, engraçada e universal. Por esse motivo ela já foi produzida em mais de 150 países e traduzida em mais de 50 idiomas!


























"Eu estava preocupada com a questão das vaginas,  preocupada com o que pensamos a respeito delas,  e, mais ainda com o fato de que não pensamos nelas..."

A peça foi trazida para o Brasil pela primeira vez em 2000. Em 2006 foi interpretada pela Mara Manzan, Fafy Siqueira e Vera Setta na cidade onde moro, Niterói  – na época eu tinha apenas 16 anos e nem conhecia os Monólogos, quiçá o feminismo – mas lembro que o nome ficou gravado em mim – a ponto de agora eu conseguir fazer essa conexão.


Todas as menininhas ­­também deveriam ser capazes de ligar a "coisa" ao seu verdadeiro nome e de estabelecer suas próprias conexões de modo instantâneo. Mas em pleno século XXI ainda não são, porque  quase nunca dizem a palavra "vagina", talvez porque suas próprias mães não consigam. Infelizmente, os pais acabam por invisibilizar a palavra, apelidando as vaginas carinhosamente com diminutivos como "periquitinha, liliquinha, pererequinha, lindinha, etc.  Ou seja, desde pequenas sabemos que existe algo “lá embaixo”, mas não pensamos muito sobre o assunto, e seguimos a vida normalmente.

A autora trata sobre esse fenômeno e muitos outros, propondo um  diálogo sobre a genitália feminina - tentando desvendar o porquê desse órgão ser sistematicamente tão reprimido: verbal, emocional e fisicamente. Afinal, não se ouve falar em vaginas em lugar nenhum – na  TV, no rádio, nos botecos e  nem sequer no banheiro feminino. As mulheres não tocam suas vaginas em público - como os  homens fazem com o seu respectivo sexo. Os traumas, mutilações, doenças e abusos sexuais que acometem as mulheres tendem a ser silenciados por elas mesmas e pelos outros, como se fossem pouco importantes.   

"Eu digo a palavra porque acredito que aquilo que não dizemos nós também não vemos, não reconhecemos ou não lembramos. O que não dizemos se transforma num segredo, e segredos, muitas vezes, criam vergonha medos e mitos."

A autora mostra a força dessa “negação vaginal” utilizando um viés ora engraçado - citando os milhares de apelidos criados para o genital,  ora denunciante -  relatando os casos brutais de estupros que ocorreram na Bósnia, como estratégia de guerra, na década de 90 e das mais de 100 milhões de meninas e mulheres ao redor do mundo que tiveram seus genitais mutilados.





Infelizmente, para quem já viu a peça ou o documentário da HBO sobre os Monólogos, o livro não passa de uma simples transcrição. Ao menos assim a ordem dos fatores não atrapalhará a fruição: ler o livro antes ou depois da peça/documentário não atrapalha. Eu diria que pelo contrario, um complementa o outro,  o que geralmente é raro. Uma pena que o livro não seja tão  vibrátil e apaixonado como a autora no palco - embora cumpra sua função de registro escrito.


No final da leitura ficamos com aquele gosto de perguntas não respondidas na boca. Quem sabe dialogando a gente consiga descobrir porque:

Temos vergonha de pronunciar, ouvir e ler a palavra vagina.


A palavra ainda é censurada em vários meios de comunicação.

Tantas mulheres ainda desconhecem a aparência do seu próprio genital e as formas de obter prazer a partir dele.


Milhares de meninas ainda são submetidas a castrações que as deixam mutiladas e marcadas em nome da pureza.

E por último, a pergunta que não quer calar: se essa parte da anatomia feminina é tão suja, vergonhosa e invisível como fazem parecer - porque todo mundo ainda tem tanto medo de falar sobre dela?



sábado, 14 de dezembro de 2013

Resenha: Afogando Ruth - Christina Schwarz "Um pouco de amor, um pouco de senso de importância"

                                          Olhando a capa desse livro o que você sente? 

Eu me sinto completamente intrigada. Por esse tom noir e misterioso da capa, que combina tão bem com o título da obra. Ela  te faz questionar: Quem é Ruth? Porque afogaram ela? Seria afogar num sentindo metafórico? Quem afogou a pobrezinha da Ruth !? Salva ela, sal-vaaa!! 

Brincadeiras à parte, essa é a grande curtição do livro: te enredar na curiosidade que ele próprio gera. E como todos do tipo, ele nos pega desprevenidos: você lê a primeira página só para sentir o tom, lê a segunda para entender melhor, continua pela terceira para dar continuidade, e quando vai ver já não consegue parar, e logo estará pelos cantos com depressão pós-livro.
Logo no início somos apresentados à Amanda (a irmã mais velha), à Mathilde (irmã mais nova) e à pequena Ruth (filha de Mathilde). Logo também entram em cena a cidade de Nagawaukee, a fazenda da família e o lago. Em seguida, conhecemos Carl o esposo de Mathilde que acabou de retornar da guerra, para descobrir que sua esposa morreu afogada no lago congelado. Não demora até que você comece a desconfiar que Amanda não é tão boazinha quanto parece. Ou seria a menina Ruth, a pequena vilã?

_ Tia Mandy... - sussurou ela.
_ O quê, Ruthie?
_ Você pode voltar para casa agora. Eu fiz ela ir embora.


Toda a verdade  é oferecida lentamente, deixando espaço para a imaginação do leitor. De certa maneira, (mas num estilo completamente diferente), Christina Schwarz me lembrou o Stephen King, por essa capacidade de construir uma narrativa fluída e atraente, que te faz comer páginas em busca de uma explicação, que só virá bem no final.

Sendo o seu romance de estreia, ela literalmente começou bem. Porque infelizmente, a obra perde um pouco de foco no meio. O ar de mistério só retorna no final - momento em que  verdades são reveladas. 



       Afogando Ruth é um retrato assombroso dos laços que unem duas irmãs e das forças que as separam, dos perigos dos segredos e das repercussões explosivas quando estes se revelam.
    No inverno de 1919, a enfermeira Amanda Starkey passa seus dias cuidando dos soldados feridos na Primeira Guerra Mundial. Depois de uma crise nervosa ela deixa Milwaukee e se refugia na fazenda da família, buscando conforto com sua irmã mais nova, Mathilda, e a sobrinha de três anos, Ruth. Logo percebe que o seu antigo lar não é um refúgio, e que levara seus problemas consigo. Quase um ano depois, numa noite terrível, sua irmã desaparece misteriosamente, sendo encontrada mais tarde afogada sob o gelo que cobre o lago da propriedade. Quando o marido de Mathilda volta da guerra, ferido e perturbado, encontra Amanda incumbida de Ruth e da fazenda, assumindo toda a responsabilidade com uma intensidade assustadora.
   De modo enviesado e cauteloso Amanda conta a história da sua família em doses homeopáticas, tão preocupada em ocultar de si mesma e do leitor os segredos do seu passado e daquele noite.    A pequena Ruth aterrada pela própria memória cresce sob o vigilante cuidado da tia, magoada e possessiva, tomando gradualmente consciência dos estranhos acontecimentos da sua infância. Ao contar sua história com uma clareza cada vez maior, Ruth descobre o pesado tributo cobrado de sua família em consequência dos segredos da tia.
    Guiando-nos através das vidas das mulheres da família Starkey, o primeiro romance de Christina Schwarz revela sua compaixão e entendimento singular a respeito da paisagem do interior Norte-Americano e das pessoas que ali vivem. É uma estreia fascinante e dolorosamente bela.
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Christina Schwarz nasceu no estado de Wiscosin, nos Estados Unidos. É mestre em literatura inglesa pela Universidade de Yale, foi professora colegial e hoje dedica-se apenas à literatura. Depois de várias mudanças vive atualmente em Los Angeles.

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