quinta-feira, 14 de novembro de 2013

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Imortalidade - Charles Bukowski



Essa primorosa citação está na pág 127 do livro Pedaços de um caderno manchado de vinho, do autor Charles Bukowski. Editora: L&PM Pocket

domingo, 10 de novembro de 2013

La rabia en español - Ariana Mendonça






Por las calles y passeos
Pelean peatones y coches
Sea con derechos o deseos
de ocupar espacio en doble

A veces me siento como una campesina

Mirando admirada por la ventana
un pueblo ciego, pero que camina
con tanta prisa y sin ninguna gana

En esta lucha del tráfico

no sé quien es más burro
La rueda que lleva progreso
o el chico que consome sus muslos

¡Dale camiñar! ¡Dale la rabia!

Tanta prisa, ¿Y el pensar donde queda?
Yo creía que mi esperanza era sabia 
                                 Pero terminó bajo a las ruedas


10/11/2013, por Ariana

sábado, 9 de novembro de 2013

Garbage - Only happy when it rains - porque reclamar também é catarse!



Tá certo que (quase) ninguém curte estar na deprê, aquela vibe super ruim e negra que se abate sobre todo e qualquer ser humano em alguns momentos da vida. Ninguém gosta de sofrer desmesuradamente, nem  de chorar, se descabelar e de celebrar a dor. Mas quem disse que não dá para sentir prazer na tristeza? 

Eu por exemplo, acho que existe uma baita felicidade em dizer que o trabalho é uma droga, que o time de futebol está jogando mal pra cacete, que o professor é um babaca que te reprovou e que está doendo muito o pé na bunda que se levou do grande amor. Logo, me senti representada ao ouvir essa música invocada e prá-lá de gostosa, chamada "Only happy when it rains" da banda Garbage. Fazendo uma interpretação para o meu lado, acho que ela se refere aos pessimistas de plantão (eu já tenho a carteirinha do clube!) - aquelas pessoas que adoram reclamar de tudo, sofrer por antecipação e achar um lado ruim em coisas que não tem.

Só tenho a dizer uma coisa em nossa defesa: Não dá para evitar! Já está nos nossos genes. Quando meu dou conta, lá estou eu reclamando de algo. O lado bom, é que sempre encontro pelo meu caminho pessoas que são do tipo alto-astral e que acabam equilibrando a minha balança. E consequentemente, faço o mesmo por elas, já que (parafraseando o Frejat) "Rir de tudo é desespero". E dessa maneira, a gente segue, tentando não ser uma pessoa nem positiva, nem negativa, que é pra ver se atrai boas energias,
mesmo elas não gostando da gente, né? :)

Afinal, reclamar também é catarse! Então toca Garbage:





I'm only happy when it rains
Eu só fico feliz quando chove
I'm only happy when it's complicated
Eu só fico feliz quando é complicado
And though I know you can't appreciate it
E embora eu saiba que você não consegue apreciar isso

I'm only happy when it rains
Eu só fico feliz quando chove

You know I love it when the news is bad

Você sabe que eu adoro quando as notícias são ruins
Why it feels so good to feel so sad

Porque é tão bom se sentir tão mal
I'm only happy when it rains

Eu só fico feliz quando chove

Pour your misery down, pour your misery down on me

Derrame sua tristeza em mim, derrame sua tristeza em mim, 
Pour your misery down, pour your misery down on me
Derrame sua tristeza em mim, derrame sua tristeza em mim,
I'm only happy when it rains
Eu só fico feliz quando chove
I feel good when things are going wrong
Eu me sinto bem quando as coisas estão dando errado

I only listen to the sad, sad songs
Eu só ouço as tristes, as músicas tristes

I'm only happy when it rains
Eu só fico feliz quando chove





I only smile in the dark
Eu só sorrio no escuro
My only comfort is the night gone black
Meu único conforto é a noite escurecendo
I didn't accidentally tell you that
Eu acidentalmente não te contei isso
I'm only happy when it rains
Eu só fico feliz quando chove

You'll get the message by the time I'm through
Você vai entender o recado quando eu terminar
When I complain about me and you
Quando eu reclamo de mim e você
I'm only happy when it rains
Eu só fico feliz quando chove

Pour your misery down (Pour your misery down)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
Pour your misery down on me (Pour your misery down)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
Pour your misery down (Pour your misery down)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
Pour your misery down on me (Pour your misery down)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
Pour your misery down (Pour your misery down)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
Pour your misery down on me (Pour your misery down)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
Pour your misery down
Derrame sua tristeza

You can keep me company

Você pode me fazer companhia
As long as you don't care

Desde que você não ligue

I'm only happy when it rains

Eu só fico feliz quando chove
You wanna hear about my new obsession?

Você quer ouvir sobre a minha mais nova obsessão?
I'm riding high upon a deep depression

Eu estou curtindo uma depressão profunda
I'm only happy when it rains (Pour some misery down on me)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)

I'm only happy when it rains (Pour some misery down on me)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
I'm only happy when it rains (Pour some misery down on me)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
I'm only happy when it rains (Pour some misery down on me)

Derrame sua tristeza (derrame sua tristeza)
I'm only happy when it rains (Pour some misery down on me)




quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ángela Vallvey


Nenhum deles era feliz. Demasiada solidão - ou frustração, ou informação, ou ressentimento, ou repressões ou medo - todos os tinham em graus distintos, paralisados e confusos ante a estranha intensidade que supõe
viver, a trágica imprecisão de um fato tão sensível e também tão extraordinário.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A mãe da mãe da sua mãe e suas filhas – Maria José Silveira

    Eu me atraso. Nos últimos dias ando sempre atrasada, correndo pelas ruas do Rio, tão rápido que é de botar inveja em atleta. Naquele dia não era diferente até que, em frente à estação da Carioca esse livro me golpeou bem nos olhos. Parei de chofre (mesmo sabendo que não podia) admirei a capa, li seu verso, acendi um sorriso, abri, folheei, li a primeira página e senti: que ele era meu. Já fazia parte de mim. Retirei uma simplória nota da carteira e o levei comigo, para me acompanhar no metrô. Que vida bonita essa, que ainda é capaz de nos trazer alegrias imprevisíveis e felicidade quase gratuita. Em pensar que levou apenas cinco minutos para atingir essa sensação, que perduraria enquanto esse lindo livro estivesse apoiado no meu colo, até o virar da última página. 

A beleza do livro A mãe da mãe da sua mãe e suas filhas consiste em reescrever uma espécie de genealogia brasileira - a partir da história de mulheres que habitaram terras tupiniquins desde os primórdios até os dias atuais – fazendo um retrato das mesclas raciais, dos hábitos, costumes, das dificuldades e das riquezas que foram lentamente compondo o que viria a se tornar o povo brasileiro. Tendo mulheres como fio condutor. Não são poucos os livros sobre História do Brasil, mas raros são aqueles que utilizam o ponto de vista feminino para contar o passado. A maioria emprega um olhar masculino - construindo uma visão unilateral - apagando assim, um pedaço dos nossos hábitos, tradições e memória – como se fosse possível um país se reproduzir e desenvolver sendo habitado apenas por homens. 

Maria José Silveira - autora
Que não a minha surpresa e deleite ao deparar com uma narrativa que inclui a mulher como ser ativo e construtor do passado histórico que é meu e seu. Enfim, de todos nós brasileiros, que somos (perdoem o trocadilho) todos filhos-das-mães. Obviamente, que a história é ficcional - não estamos falando de nenhum livro didático de história aqui. O que, de nenhuma maneira o desqualifica, muito pelo contrário. Se nas escolas a história fosse ensinada utilizando um viés lúdico, acredito que nossa identificação seria maior, e consequentemente a assimilação do conteúdo seria melhor. A contextualização no aprendizado da história é importantíssimo, porque  é necessário entender que o 'hoje' é uma continuação do 'ontem'. A história sempre se repete, reinventa e modifica e por isso é ela quem melhor pode nos ajudar a entender o presente.



Tal qual me vês,
há séculos em mim:
números, nomes, o lugar dos mundos
e o poder do sem fim.
Cecília Meireles, "Trânsito"


Às vezes é fácil esquecer que descendemos de uma mistura de índio, com português, holandês, espanhol, italiano, sueco, francês, africano etc. e tal. Quantas linhagens se cruzaram e separaram ao longo do tempo! Podemos ter antepassados comuns com pessoas com quem cruzamos nas ruas, no trabalho, no ônibus, na boate, na faculdade... E essa descendência só foi possível, porque existiram mulheres capazes de se embrenhar no mato, desbravar sertões, plantar, colher, criar gado, extrair ouro, vivendo em condições tão difíceis e árduas quanto a dos homens. Mulheres que foram capazes de se entregar ao amor. Mas que também foram escravizadas, exploradas, estupradas, assassinadas, e que ainda assim foram capazes de gestar, parir e cuidar de seus numerosos filhos. Esse é o banho de realidade que levamos com o livro de Maria Silveira. 


 Mas engana-se quem pensa que o livro trata sobre a maternidade como fim. Poderíamos entendê-la nessa obra como o meio, um pano de fundo, um fio sobre o qual a autora foi trançando a história das famílias brasileiras através dos tempos: desde a primeira indiazinha Inaiá em 1500 até a moderna Maria Flor no ano 2000. É possível acompanhar Tebereté que engordou o holandês (pai da sua filha) só para servir de refeição ao seu ímpeto caníbal, ou Filipa que foi escrava numa fazenda de cana e foi brutalmente assassinada, também Ana de Pádua menina interesseira mais inocente morreu sem nunca conquistar seu sonho, a namoradeira Açucena Brasília que se tornou patrimônio da vila onde morou e ainda Jacira Antônia mulher forte e decidida que criou gado no Centro-Oeste e manteve a riqueza e equilíbrio da família após a morte precoce do esposo. Assim como fala a própria autora nas primeiras linha do livro: 



             Se é assim, que vocês querem, vamos contar a  história das mulheres da família.
             Mas vamos contar com calma. 
             O assunto é delicado, a família é complicada, e nem tudo foi beleza nesta história. Houve,                  claro, felicidades e amores, muitas lutas e conquistas, grandes realizações - afinal, elas                         ajudaram a construir quase do nada este país. Mas houve também loucas, assassinas, muitas         desgraças e tristezas. Grandes dores. Muitas mesmo.

Com uma narrativa leve, bem humorada e cativante, Maria Silveira vai mesclando imaginação com dados históricos o que faz do livro nem um tratado histórico nem uma literatura completamente ficcional, mas uma mistura dos dois. Mais brasileiro impossível.

A fotografa Civone Medeiros retratou a força da mulher sertaneja. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Tentativa

Eu tentei no passado
Eu tentei ontem
Eu tentei obstinada e cegamente
Hoje não tento mais
Daqui para frente desisto
O que eu ganho desistindo?
Basicamente nada.
Que não o direito de dizer "não!" a maquinaria da vida.

O direito de parar o meu tempo
O direito de me calar.
O direito de ser surda.
O direito à preguiça.
O direito ao meu próprio corpo.

A liberdade em mim.

E essa é basicamente a única coisa,
que me interessa.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O lexical-poder de persuasão



"O orifício anular corrugado localizado na parte inferior lombar da região glútea de um individuo em alto grau etílico, deixa de estar em consonância com os ditames referentes aos inalienáveis direitos individuais de propriedade."

Obviamente que eu discordo do ditado: "c* de bêbado não tem dono", afinal jamais se deve abusar física ou verbalmente de outro individuo, especialmente aqueles em  situação de vulnerabilidade. Brincadeiras (sem-graça) à parte, suscitei esse cartaz, para ilustrar como pode ser forte o poder de reforço/convencimento do léxico de nossa querida língua. A utilização de uma linguagem extremamente formal, pode muitas vezes mascarar a verdadeira natureza do discurso, promovendo um processo de "embelezamento" e seriedade - que nem sempre existe. Na fala coloquial é o que poderíamos chamar de "falar bonito", "floreio" ou "enchimento de linguiça". Essa técnica costuma ser muito utilizada pelos políticos em suas campanhas, se aproveitando da escassa educação do povo ou da simples falta de familiaridade que temos com esse tipo de linguagem. Dessa forma, eles enchem com beleza lexical um discurso vazio de ideologias - ludibriando seus eleitores em época de eleição.


O léxico pode ser compreendido como o acervo de palavras de uma determinada língua e o  vocabulário como a seleção e emprego pessoal que se faz desse léxico. Os usuários da língua tem a sua disposição, portanto um conjunto de palavras para efetivar o processo comunicativo. E pode-se dizer que quanto maior é o seu vocabulário, maior será a sua desenvoltura lexical e consequentemente a sua capacidade de expressão - e porque não de persuasão?


Não quero dizer com isso que é errado ou desonesto utilizar um bom português. A nossa língua é de uma riqueza e beleza imensas, que devem ser aproveitadas. O português formal deve ser bem ensinado e aprendido nas escolas e ainda que não o utilizemos no dia-a-dia - isso não retira a sua importância. O que intentei demonstrar com esse texto, é que nem sempre a linguagem formal é honesta, e nem sempre quem fala "bonito" é por isso mais inteligente ou mais capaz. Já vi transbordar sabedoria de bocas que mal saberiam soletrar uma palavra ou compor um texto conciso. E mais tristemente, já vi brotar muita falácia, hipocrisia e preconceito, de mentes mestradas, doutoradas e pós-doutoradas.


Isso existe porque existe a linguagem e educação formais, que são fundamentadas em regras e preceitos para seu correto aproveitamento. Mas existe também a linguagem coloquial e educação informal. Essas duas últimas, dificilmente podem ser ensinadas na escola, seu aprendizado é diário, cotidiano, e suas lições acabam sendo tão ou mais valiosas que as da primeira. Pois, ao contrário, a sua evolução não depende de recursos monetários, mas apenas de interesse, observação e vontade de aprender.


Portanto, lembrem-se bem: nem sempre aquele que se expressa melhor, se expressa com mais verdade. E se vocês virem alguém tentando lhes convencer ou vender algo utilizando uma linguagem rebuscada, desconfiem, estejam conscientes do lexical-poder de persuasão! 

Carlos Drummond de Andrade


domingo, 16 de junho de 2013

[DOCUMENTÁRIO] - Clitóris, prazer proibido

Não é um pouco surpreendente que até hoje não tenha sido dada a devida atenção ao clitóris? Ainda que ele seja o único órgão dos seres humanos que tem como destinação exclusiva servir ao prazer das mulheres? "Enquanto ao pênis, com seu papel de servir a dois senhores como canal condutor de urina e de sêmen, falta o refinamento da especialização." ¹ possuindo apenas 4 mil terminações nervosas, enquanto o clitóris possui o dobro disso?

E ainda tem homem que desconhece esse tesouro feminino! Só tenho a dizer aos que desconhecem onde fica e como funciona o clitóris, que descubram. E que façam suas mulheres muito mais felizes e realizadas, o que por consequência também fará com que eles tenham um retorno melhor na sua relação sexual. Afinal, nada como dar e receber prazer de quem se gosta. 

Então, como ajuda aos homens e como esclarecimento as mulheres, segue esse vídeo que é super interessante e esclarecedor.


                                                Vídeo no mínimo educativo e libertador.


¹ SILVEIRA, M. J - A mãe da mãe da sua mãe e suas filhas. Ed. Globo. pg. 357 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Mulher do Jornal

Porque MULHER é um tópico ou caderno a parte nos jornais, como se as mulheres fossem incapazes de ler um jornal inteiro? E porque os temas desses cadernos são sempre: dieta, beleza, maquiagem, horóscopo, moda e sexo? Parece que ainda estamos nos anos 1950! Talvez ainda precisemos da Simone de Beauvoir reforçando que a mulher não é só casa e bebês no seu “O Segundo Sexo”. 

E as pessoas diriam: “Mas qual o problema de um caderno especial para as mulheres? Isso não demonstra o quão elas são importantes?” E eu digo NÃO! Por uma razão muito simples: porque não existe um caderno equivalente escrito HOMEM. Percebe-se que não existe um tratamento igualitário, apenas uma dupla moral. Para os homens existe o caderno de Esportes, existe o caderno de Automóveis. Ou seja, é como se os assuntos que interessam aos homens fossem sérios o suficiente para serem tratados em cadernos à parte com matérias inteiras e completas. Enquanto o dito caderno da mulher é um miscelânea condensada do que supostamente "deve interessar a mulher”, uma coluna à esquerda com o resumo das novelas, um artigo explicando como disciplinar os filhos à direita, o cantinho do horóscopo e uma página inteira com as tendências de moda, tudo permeado com propagandas mostrando fotos de lindas mulheres vendendo bolsas, sapatos, roupas e maquiagem. Porque a única coisa que pode interessar de verdade as mulheres é ficar linda e comprar (de preferência utilizando o cartão de crédito do marido) não é mesmo, publicitários? 
                        
Isso tudo me tira do sério! Porque ao menos não tem um artigo falando sobre Economia ou a situação climática nesses cadernos? Porque a mensagem subliminar nos diz:” Esse é o mundo dos homens, mulheres não precisam saber disso porque elas são bobas e frágeis e não farão nada de útil com essa informação!”





quinta-feira, 2 de maio de 2013

Como ser Mulher - Caitlin Moran



Divertido. Essa é a melhor palavra para resumir o livro COMO SER MULHER da Caitlin Moran. Sério, ele me rendeu várias gargalhadas explosivas no ônibus, no restaurante, no bar e até no hospital (no finalzinho da leitura peguei dengue). Foi como fazer amor com um palhaço, digamos assim.

Tudo bem que o livro começa a perder força no final – talvez porque aborde aspectos mais complexos, como o aborto e cirurgias plásticas - mas no geral ele se sai muito bem. O que ajuda muito é que a Catlin é desbocada e honesta. Eu não encontrei nenhum livro tão biográfico, sincero e recheado de palavrões desde o Bukowski (mas longe de mim querer comparar). Mesmo assim, admito que muita gente não se sentirá confortável com esse tipo de escrita - porque ela é um tanto crua. Não há espaço para interpretação ou imaginação porque já está tudo ali: claramente escrito e descrito nas despreocupadas palavras de Caitlin.

O mais engraçado é que o estilo de escrita dela é bem parecido com o meu. Certas horas me peguei pensando: “Quem roubou meu caderno de anotações?” Mas como era de se esperar a explicação já estava pronta bem no início, pois o livro começa assim:

Wolverhampton, 5 de abril de 1988

Aqui estou eu, no meu aniversário de treze anos. Correndo dos Deliquentes.
 
“Moleque!”
“Esquisita!”
“Moleque!”

Corro dos Delinqüentes no playground perto de casa. É um playground típico do final da década de oitenta na Inglaterra. Nada de superfícies seguras, design ergonômico, ripas de madeira nos bancos. Tudo é feito de concreto, garrafas de cerveja quebradas e ervas daninhas.

A Caitlin nasceu no mesmo dia que eu. Arianas escrevem assim, exatamente como falam e sem premeditar nada, sem deixar muito espaço para a imaginação do leitor, a gente não dá volta com as palavras: põe logo tudo no papel da maneira que vier, e goste quem gostar.

Bem, para fazer os meus apontamentos vamos primeiro ao que diz a orelha do livro:

Nesta mistura de livro de memórias e manifesto feminista, todas podemos reconhecer coisas que fizemos, pensamos e dissemos – mas nunca de maneira tão eloqüente quanto Caitlin Moran faz aqui. Best-seller absoluto na Inglaterra, COMO SER MULHER é leitura obrigatória não apenas para o suposto sexo frágil, mas para todos os maridos, namorados, irmãos pais, tios, amigos e colegas de trabalho que gostariam de entender um pouquinho melhor o que realmente se passa na cabeça das mulheres

Eu não sei quem são as pessoas responsáveis por escrever essas apresentações. Não sei se elas são pessoas altamente desqualificadas ou apenas detestam ler livros. Porque bem, nunca vi um resumo menos condizente com o conteúdo. E vamos aos porquês:


1) Pra começar esse livro não é um “manifesto feminista”. Até a própria capa diz manifesto “feminino” e não “feminista”. 
Esse livro é como o grito de “Ei, sou mulher e posso me expressar como quiser, pra quem eu quiser, falando sobre coisas de mulher!”. Obviamente, que a Catlin é feminista, e se declara abertamente assim, mas esse livro não é didático ou empoderador para o feminismo, apenas para o feminino. Explico: O feminismo é uma luta, é a busca por igualdade entre os sexos. No dia que não precisarmos mais lutar por isso, o feminismo morrerá (nenhuma feminista ficará triste). No entanto, esse livro é valioso para o feminino, pois trata de questões que concernem a toda mulher, mas que não são discutidas ou levadas a sério, e sim tratadas como “triviais”, “assunto de mulherzinha”. Um bom exemplo, é que enquanto o futebol (a brincadeira Nº1 dos rapazes) é tratado como “paixão nacional”  é quase um crime mencionar  a palavra “menstruação” em voz alta – o que é um aspecto biológico de 52% da população. Aliais vocês já racionalizaram sobre aqueles saquinhos que tem no banheiro para despejarmos nossos absorventes? Esses dias me peguei pensando porque nós meninas somos ensinadas desde novinhas a enrolar nossos absorventes em quantidades astronômicas de papel para que eles não apareçam na lixeira, para que portanto nossos pais e/ou irmãos não tenham que se deparar com o horror do sangue menstrual. Bem, obviamente que a visão de sangue não é agradável, mas quando alguém se machuca ninguém enrola o algodão ensangüentado antes de jogar na lixeira. Ou seja, o problema é o sangue mens-tru-al à mostra. Por isso o livro da Caitlin é empoderador para o feminino, pois precisamos começar a enxergar as tais “coisas de mulher” de modo mais simples e normal. Precisamos poder falar sobre isso sem reservas ou vergonha .

 2) "COMO SER MULHER é leitura obrigatória não apenas para o suposto sexo frágil” – é uma péssima frase para ser empregada no resumo desse livro. Por causa de todo o contexto que impregna a obra do começo ao fim, simplesmente não cabe utilizar uma expressão tão batida e pejorativa para se referir as mulheres (mesmo com a palavra “suposto” na frente), eles poderiam simplesmente ter escrito “mulheres” ou “meninas”. Ou seja, eu duvido que quem escreveu isso leu o livro. Ou se leu, não pegou bem o espírito da coisa!


3)  Não acho que esse livro seja leitura obrigatória para os homens. Aliais, não vejo porque qualquer homem deveria lê-lo. A maior parte da graça dele consiste em ser escrito por uma mulher para outras mulheres. As piadas tem graça porque eu ENTENDO o que ela está dizendo, eu COMPARTILHO os sentimentos. Como eu disse, o livro é empoderador para o feminino, não para o masculino. Penso, que se no momento atual um homem comum lesse esse livro, não conseguiria atingir o espírito da coisa. Seria como uma menina ler sobre “ejaculação precoce”, “minha paixão pelos esportes” ou “o nascimento do meu bigode”. Até pode ser legal para matar a curiosidade sobre como é se transformar em homem, mas definitivamente não despertará um sentimento de solidariedade. Não que os homens não devam ler se quiserem, acho que talvez eles compreendam muitos dos nossos dilemas, mas daí a dizer que é “leitura obrigatória” já força a barra.  Aliais, NENHUM livro é leitura obrigatória para ninguém.
 
Bem, não há muito mais o que resenhar. Então eu apresento a vocês os capítulos do livro. Em cada um deles Caitlin faz uma descrição bem humorada e leve das suas experiências e impressões sobre como é se tornar mulher. Enfim, vale lembrar que o livro não é um manual ou resumo, afinal: cada mulher é um ser humano único e inigualável. Assim como os homens também são!

        Prólogo – O pior aniversário de todos os tempos
      01. Começo a sangrar!

      02. Fico peluda!
03. Não sei como chamar meus seios!
04. Sou feminista!
05. Preciso de um sutiã!
06. Sou gorda!
07. Descubro o machismo!
08. Estou apaixonada!
09. Vou a um clube de striptease!
10. Eu me caso!
11. Entro na moda!
12. Por que ter filhos
13. Por que não ter filhos
14. Modelos de comportamento e o que fazer com eles
15. Aborto
16. Intervenção



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