sexta-feira, 30 de março de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
Quando o conto-de-fadas termina, a vida real começa.

Passeando pelo 9gag.com, para minha dose de gargalhada semanal, me deparo com um post com essa foto aí ao lado com o título "When the fairy tales ends, real life begins...". Ao primeiro momento me fez rir, mas como sempre após alguns segundos, me deu em que pensar. Sempre fui da opinião de que apresentar o mundo dos contos-de-fadas Disney para as crianças é uma maldade, principalmente para as meninas. Apesar da infância ser uma época lúdica, em que a vida deve ter uma toada leve e divertida, deve-se tomar cuidado com a linha tênue entre a fantasia e a enganação. Estudos confirmam que meninas que crescem acreditando em cavalo branco, príncipe encantado, finais felizes e maças envenenadas tem o dobro de chances de se ferir no amor.
Brincadeiras à parte, sei que todas nós crescemos e aprendemos com a vida, sei que não iremos acreditar em príncipes encantados para sempre, mas você não acha que um resquício sempre fica? A gente sempre quer que o nosso namorado/marido/rolo seja um pouquinho mais romântico, forte e corajoso e vivemos preocupadas se o nosso final com eles será de fato feliz (e não apenas final!).
Posso dizer que fiquei feliz quando lançaram Shrek - muito embora eu saiba que ele está mais voltado para os adultos - porque desmistifica uma série de estereótipos que são chatos a beça na vida real. Os filmes do casal Fiona e Sherk demonstram que você não precisa ser uma princesa perfeitamente delicada de cabelos louros-reluzentes e tão doce quanto 1kg de açúcar; que seu namorado não precisa vir com o kit 'armadura + cavalo branco + cabelos louros-reluzentes'; que o início, o meio e o fim da história de vocês não precisa ser romance o tempo todo; e que sim, nenhum dos dois é perfeito, mas o amor é possível de qualquer maneira.
Pessoalmente eu pretendo evitar que os meus futuros filhos assistiam essa baboseira infantil que passa no cinema e na TV. Não só pelos motivos supra-citados, mas por muitos outros. Primeiro porque pretendo deixá-los brincar muito na rua, além de enche-los de livros, antes de os colocar em frente a TV, segundo porque não quero inseri-los no sonho americano (porque a Globo adora encher o período da manhã com seriados como Hannah Montana???), terceiro porque o mundo Disney não passa de um produto comercial com uma forte publicidade infantil (sobre a qual a Vanessa Anacleto do blog Fio de Ariadne fez um post
muito legal); e eu poderia acrescentar muitos outros motivos.
Que fique claro que eu não tenho nada contra as pessoas que gostam da Disney, nem contra os pais que deixam seus filhos lerem, assistirem e comprarem os produtos, tanto porque eu sei que é impossível impedir o acesso das crianças à isso. Queria só registrar minha indignação quanto à produção do conteúdo infantil no nosso país e no mundo, e isso inclui Hello Kitchen, Backyardigans, Barbies, etc..etc... A infância é um momento tão lúdico e tão gostoso, em que o caráter, a personalidade e a opinião ainda estão em formação. Portanto, acredito que a programação da TV, os filmes, e tudo mais relacionado ao mundo infantil deveria ser muito educativo, bem-pensado e criativo. Mas não é o que se vê. Eu assisti muito Teletubbies, Lessie e Pokémon na infância e posso te dizer que aprendi muito mais com o Lego, pulando elástico na rua e assistindo Castelo Rá-tim-bum. E tenho dito.
terça-feira, 6 de março de 2012
William Saroyan
Como vai? – disse Spangler, lembrando-se do rapaz. – Pensei que há muito você tivesse ido de volta para sua casa em Pensilvânia. Sua mãe mandou-lhe o dinheiro. Não precisa voltar para me pagar.
- Não voltei para lhe pagar – disse o rapaz. – Voltei para arranjar mais, e não vim implorar. – Tossiu. – Vim tirá-lo.
- Que é que há com você? – disse Spangler.
- É isto que há comigo – disse o rapaz.
Tirou um revólver do bolso direito o paletó e segurou-o na mão trêmula. Thomas Spangler, ainda um pouco bêbado e feliz, não podia compreender.
- Vamos – disse o rapaz. – Dê-me o dinheiro.... todo o dinheiro que tiver nesse lugar. Todo o mundo está se matando e não me incomodarei se tiver de matá-lo. E não me incomodarei se me matarem. Estou excitado e não quero nenhuma complicação, mas, se você não me der o dinheiro, agora, atirarei. Dê-me o dinheiro, e depressa.
Spangler abriu a gaveta da caixa e tirou o dinheiro dos diversos compartimentos. Colocou o dinheiro – notas, rolos de moedas e moedas esparsas – no balcão, diante o rapaz.
- Eu lhe daria o dinheiro, de qualquer forma – disse ele – mas não porque você está me apontando uma arma. Eu lhe daria o dinheiro porque você o necessita. Tome. É todo o dinheiro que tenho. Leve-o e tome um trem e vá para casa. Volte para onde o querem. Não darei parte do roubo. Cobrirei a retirada. Há cerca de setenta e cinco dólares aqui.
Esperou que o rapaz apanhasse o dinheiro,mas o rapaz não o tocou.
- Sinceramente – disse Spangler. – Apanhe o dinheiro e vá... você precisa. Você não é um criminoso, e não está tão doente que não possa ficar bom. Sua mãe está a sua espera. Este dinheiro é um presente meu para ela. Você não será um ladrão por levá-lo. Apanhe o dinheiro, jogue fora essa arma e vá para casa. Jogue fora a arma... você se sentirá melhor.
O rapaz pôs a arma outra vez no bolso do paletó. Sobre a boca trêmula, colocou a mão que segurara a arma.
- Eu devia ir e meter um tiro na cabeça – disse ele.
- Não fale como um tolo – disse o gerente da agência telegráfica. Reuniu o dinheiro e estendeu-o para o rapaz. – Tome – disse. – É todo o dinheiro que há. Tome-o e vá para casa, só isso. Se quiser deixe a arma aqui comigo. Tome o seu dinheiro. Sim, seu... é seu, ainda que você tenha de tirar uma arma para arranjá-lo! Sei como você se sente, porque já me senti da mesma maneira. Nós todos já nos sentimos da mesma maneira. Os cemitérios e as penitenciárias estão cheios de bons rapazes americanos que têm tido má sorte e dias infelizes. Não são criminosos. Aqui – disse ele gentilmente -, tome este dinheiro. Vá para casa.
O rapaz tirou a arma do bolso e empurrou-a pelo balcão até Spangler, que deixou cair na gaveta da caixa.
- Não sei quem você é – disse ele – mas ninguém até hoje me falou dessa maneira. Não quero a arma, e não levarei o dinheiro, e vou para casa. Vim até aqui de carona e voltarei de carona. – Tossiu um momento e disse então:
_ Não sei onde mamãe arranjou os trinta dólares. Sei que ela não os tem de sobra. Gastei algum bebendo, joguei outro tanto, e ...
- Entre aqui e sente-se disse Spangler.
Depois de um momento, o rapaz dirigiu-se à cadeira ao lado da mesa de Spangler. Spangler sentou-se na mesa.
- Que é que o está preocupando? – disse para o rapaz.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
O Apanhador no Campo de Centeio - J. D. Salinger
| Jerome David Salinger (1919-2010) Americano |
Existem certos autores que conseguem descrever até uma barra de ferro e extrair uma boa história. O J. D. Salinger em O Apanhador no Campo de Centeio é um desses.
Como sempre, não procurei saber do que o livro se tratava e como de usual tive uma ótima surpresa. Sabia vagamente que o livro era considerado um best-seller, mas só isso. Por isso quando dei de cara com ele na feira de Antiguidades da Praça XV, sendo vendido a R$1,00 (eu juro!) eu quase desmaiei lá mesmo. No momento que olhei para aquele livro sabia que havia algo de especial nele. Tantas pessoas por aquela banca passaram, mas eu fui a escolhida.
Dos últimos livros que li, esse foi o mais agradável e divertido, o tipo de obra que você seguiria lendo por dias e dias à fio, quantas páginas houvessem. Inicialmente, esperava um romance bem dramático, com uma narrativa densa e enredo intrincado. Esquece, o livro não oferece nada disso.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Jack Kerouac
VEJA TAMBÉM DO MESMO AUTOR:
- Mad Ones
- Big Sur
- Jack Kerouac & os anjos da desolação
- Jack Kerouac, "os cassestetes vão cair por terra"
- Jack Kerouac & Into the Wild: tudo junto e misturado
Gabriel García Marquez
"_ E tudo isso - concluiu - só para nos ter rendidos aos seus pés. _ O que ele pode ganhar com isso? perguntou Homero _ Nada - disse ela - Acontece que a vaidade é um vício que não se sacia com nada." Doze Contos Peregrinos, pág.43
F. Scott Fitzgerald
" É uma grande vantagem não se beber em meio de pessoas que bebem muito. A gente pode refrear a própria língua, além de dispor de tempo para controlar qualquer irregularidade de nossa parte, pois todos estão tão cegos que nada vêem ou com nada se importam." O Grande Gatsby, pág. 98
"Todo o seu jardim estava repleto de rostos de criaturas que faziam as mais estranhas conjeturas quanto à sua corrupção - e lá permanecera ele, sobre aqueles mesmos degraus, a ocultar o seu sonho incorruptível, enquanto, com acenos de mão, se despedia delas." O Grande Gatsby, pág, 188
"Tudo ocorrera de uma maneira muito descuidada e confusa. Eles eram gente descuidada, Tom e Daisy: destruíam coisas e pessoas e depois se refugiavam em seu dinheiro ou em sua indiferença, ou no que quer que fosse que os mantinha unidos, e deixavam que os outros resolvessem as trapalhadas que haviam feito..." O Grande Gatsby
Charles Bukowski
"Minha ambição é consumida pela preguiça." "Quando você bebia, o mundo continuava lá fora, mas por um momento era como se ele não o trouxesse preso pela garganta." Factótum, pág. 55
"As pessoas não precisam de amor. Precisam é de sucesso, de uma forma ou de outra. Pode ser que seja no amor, mas não necessariamente." Factótum, pág. 101.
"Que tempos penosos foram aqueles anos - ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade." Misto Quente, pág. 237
"Sempre havia a máquina para me acalmar, conversar comigo, me entreter, salvar meu rabo. Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar meu rabo, salvar meu rabo do asilo de doidos, das ruas, de mim mesmo." Hollywood, pág. 87
"Como, diabos, pode um homem gostar de ser acordado às 6h30 da manhã por um despertador, sair da cama, vestir-se, alimentar-se à força, cagar, mijar, escovar os dentes e os cabelos, enfrentar o tráfego para chegar a um lugar onde essencialmente o que fará é encher de dinheiro o bolso de outro sujeito e ainda por cima ser obrigado a mostrar gratidão por receber essa oportunidade?" Factótum, pág.107
"Não havia qualquer sentido na vida, na estrutura das coisas. D. H. Lawrence soubera disso. Você precisava de amor, mas não o tipo de amor que a maioria das pessoas costumava dar e no qual se consumiam." Misto Quente, pág. 184
"Mas a espera entre as corridas era um verdadeiro horror: ali sentado com uma humanidade murmurante, tateante, que jamais iria aprender ou melhorar, só piorar com o tempo." Hollywood, pág181
"Aqueles que estavam no comando sempre preferiam sobrecarregar uns poucos homens de modo contínuo a contratar mais pessoas para que todos pudessem trabalhar um pouco menos. Você dava a seu chefe oito horas, e ele sempre pedia mais. ele nunca lhe mandava para casa depois de seis horas, por exemplo. Isso daria tempo a você para que pensasse." Factótum, pág. 47
"O que se deve fazer, com o pobre e o dinheiro, é nunca deixar que os dois fiquem muito próximos um do outro." Misto Quente, pág. 278
" _ Toda vez que o vejo, você está com um copo na mão. Você chama isso de se preservar? _ É a melhor maneira que conheço. Sem bebida eu já teria cortado minha maldita garganta." Misto Quente, pág. 286
"O que homens e mulheres se faziam uns aos outros estava além da compreensão."
"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece."
"É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa."
"Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado, e obscuro pra viver a minha solidão; por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo, e não conseguia nada."
"O mundo me roubou muitas horas e anos com suas ocupações chatas e rotineiras"
"Não se pode evitar. Mas tenho vontade de me dar um chute na bunda quando vou a festas, mesmo que a bebida seja de graça. Nunca funciona comigo. Já tenho argila suficiente para brincar. As pessoas me esvaziam. Preciso sair para me reabastecer. Sou o que é melhor para mim, sentado aqui atirado, fumando um baseadinho e vendo as palavras brilharem na tela. Raramente encontro uma pessoa rara ou interessante. É mais que pertubador, é um choque constante. Está me tornando um maldito mal-humorado. Qualquer um pode ser um maldito mal-humorado, e a maioria é."
"Há alguma coisa em mim que não consigo controlar. Nunca dirijo meu carro por cima de uma ponte sem pensar em suicídio. Quero dizer, não fico pensando nisso. Mas passa pela minha cabeça: SUICÍDIO. Como uma luz que pisca. No escuro. Alguma coisa que faz você continuar. Saca? De outra forma, seria apenas loucura. E não é engraçado, colega. E cada vez que escrevo um bom poema, é mais uma muleta que me fazer seguir em frente."
"Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa (...) O problema é que tenho que continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar esse computador, se eu quiser dar a descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles mesmos me causem horror. E horror é uma gentileza."
André Rangel Rios
"Na opinião do Augusto, porém, o problema seria a mediocridade; para ele, a mediocridade é pervasiva acometendo a todos no mundo; uma teoria de que eu, bebendo uísque, discordei contra-argumentando que, antes, a chatice sim fosse o grande mal do mundo, o que nos levou a discutir se a chatisse seria um subgênero da mediocridade ou a mediocridade um subgênero da chatisse." Kant em Coma, pág. 21
André Gide
Nossos atos prendem-se a nós como a luz ao fósforo.
Consomem-nos, é certo, mas fazem nosso esplendor.
E se nossa alma pôde valer alguma coisa foi porque ardeu com mais ardor do que alguma outras.
Os frutos da Terra - André Gide, p. 20
Tem-se certeza de nunca fazer o que se é incapaz de compreender.
Compreender é sentir-se capaz de fazer. ASSUMIR O MAIS POSSÍVEL DE HUMANIDADE, eis a boa fórmula.
Formas diversas da vida; todas vós me parecem belas.
Os frutos da Terra - André Gide, p. 21
Ingmar Bergman
"Palavras, palavras, só palavras. A gente usa as palavras para esconjurar o grande vazio." Cenas de um casamento, pág. 119
"Fazer uma criança consciente de sua alma é quase que uma coisa indecente." Cenas de um casamento, pág. 154
"_ Imagine se nós pudéssemos nos encontrar como as pessoas que nós deveríamos ter sido. E não como as pessoas que tentam desempenhar os papéis que todos os poderes possíveis e imagináveis nos atribuem
_ Eu acho que é impossível. A dissimulação começa no berço e continua a vida toda." Cenas de um casamento, pág. 167
"Eu penso assim: a solidão é absoluta. É uma ilusão uma pessoas convencer-se de outra coisa. Tome consciência disso. E tente agir em coerência com isso. Não espere nada, nada a não ser um inferno na terra. Se acontecer algo de agradável, melhor. Não acredite nunca que você poderá quebrar a solidão. [...] Uma pessoa tem que viver pelo instinto da solidão absoluta. Nessa altura, a pessoas deixa de lamentar-se, deixa de afligir-se. E aí que a pessoa, de fato, passa a sentir-se bastante segura e aprende a aceitar a falta de sentido da vida com uma certa satisfação. Com isso, não quero dizer que a pessoa se torne passiva. Acredito que se deve lutar o mais possível e o melhor possível. Por nenhuma outra razão a não ser a de que uma pessoa se sente melhor fazendo o seu melhor do que desistindo." Cenas de um casamento, pág. 118
"Vou lhe falar-lhe de uma coisa banal. Nós somos sentimentalmente analfabetos. E esse é um fato lamentável que não diz respeito apenas a você e a mim, mas sim praticamente a todo mundo. Nós aprendemos tudo sobre o corpo humano e sobre agricultura em Pretória e sobre a raiz quadrada de pi ou o raio que o parta o nome que isso tem, mas não aprendemos uma palavra sobre a alma." Cenas de um casamento, pág. 153
"Fazer uma criança consciente de sua alma é quase que uma coisa indecente." Cenas de um casamento, pág. 154
"_ Imagine se nós pudéssemos nos encontrar como as pessoas que nós deveríamos ter sido. E não como as pessoas que tentam desempenhar os papéis que todos os poderes possíveis e imagináveis nos atribuem
_ Eu acho que é impossível. A dissimulação começa no berço e continua a vida toda." Cenas de um casamento, pág. 167
"Eu penso assim: a solidão é absoluta. É uma ilusão uma pessoas convencer-se de outra coisa. Tome consciência disso. E tente agir em coerência com isso. Não espere nada, nada a não ser um inferno na terra. Se acontecer algo de agradável, melhor. Não acredite nunca que você poderá quebrar a solidão. [...] Uma pessoa tem que viver pelo instinto da solidão absoluta. Nessa altura, a pessoas deixa de lamentar-se, deixa de afligir-se. E aí que a pessoa, de fato, passa a sentir-se bastante segura e aprende a aceitar a falta de sentido da vida com uma certa satisfação. Com isso, não quero dizer que a pessoa se torne passiva. Acredito que se deve lutar o mais possível e o melhor possível. Por nenhuma outra razão a não ser a de que uma pessoa se sente melhor fazendo o seu melhor do que desistindo." Cenas de um casamento, pág. 118
"Vou lhe falar-lhe de uma coisa banal. Nós somos sentimentalmente analfabetos. E esse é um fato lamentável que não diz respeito apenas a você e a mim, mas sim praticamente a todo mundo. Nós aprendemos tudo sobre o corpo humano e sobre agricultura em Pretória e sobre a raiz quadrada de pi ou o raio que o parta o nome que isso tem, mas não aprendemos uma palavra sobre a alma." Cenas de um casamento, pág. 153
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Espere a Primavera, Bandini & 1933 Foi um ano ruim - John Fante
| John Fante (1909-1983) Americano |
Sabe aquele sujeito derrotista, desafortunado e que tem uma vida absolutamente desinteressante? E que apesar dessa gama de defeitos você consegue gostar e continua encontrando para conversar, porque ele tem simplesmente algo que te faz querer continuar? Pois bem, esse “sujeito” são os livros do John Fante para mim.
Pelo que pude perceber através de suas obras sempre um tanto biográficas, o autor não teve uma vida muito fácil. A hostilidade da vida é uma constante na escrita de Fante. Portanto, é um pouco inevitável não se sentir levemente triste e desgostoso ao ler seus livros. Mas acho que me mantenho reincidente na leitura, porque sei que é verdade: a vida é hostil, dura e implacável. Para defender a sua beleza e encanto, sobram livros, letras de músicas e poesias, contudo ser capaz de admitir que a vida não é boa e nem justa e que viver é um sacrifício é uma coragem pertencente à poucos. Afinal, quem quer viver sob o signo da desesperança? Por esse motivo eu admiro os escritores desesperançados e/ou pessimistas, que sabem aproveitam as tristezas da vida e delas retirar alguma arte.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
A paixão do Socialismo - Jack London
![]() | |
|
"Deixando de lado os possíveis imprevistos, um bom vagabundo, jovem e ágil, pode resistir até o fim num trem, apesar de todos os esforços da tripulação a bordo para "despejá-lo" - tendo é claro, a noite como condição essencial." (pág. 41)
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
O PERFUME - Patrick Süskind
| Patrick Süskind (1949-) Alemão |
Os odores são o tema principal do livro de Süskind. Essa narrativa que remete ao século XVIII conta desde o nascimento a história de Jean-Baptiste Grenouille, um homem que possui uma percepção olfativa sobre-humana. “Aos seis anos, já havia captado olfativamente todas as suas redondezas. Não havia na casa de Madame Gaillard nenhum objeto, na Rue de Charonne, ao norte, não havia lugar, ser humano, pedra, árvore, arbusto ou cerca de ripas, nenhuma superfície, por menor que fosse, que ele não conhecesse pelo cheiro…” (pág.30). Um pouco mais velho Grenouille podia perceber individual ou conjuntamente todos os cheiros da cidade de Paris. Conseguia, portanto cheirar individualmente cada pessoa ou a rua como um todo. “Misturavam-se odores de pessoas e de animais, vapores de comidas e de doenças, de água e pedra e cinza e couro, de sabão e de pão recém-assado e de ovos fritos no azeite, de massas e de latão esfregado até o branco, de salva e cerveja e lágrimas, de gordura e de palha molhada e seca. Milhares e milhares de odores constituíam um mingau invisível, que enchia a garganta das ruazinhas…” (pág. 38).
Assinar:
Postagens (Atom)


















